Ponto de Fuga
Foto: Sarah Falcão · João Pessoa (PB)
Conceito: Ponto de fuga (cuja abreviatura é PF), em geometria, é o ponto de convergência das linhas que descrevem a profundidade dos objetos; é a direção para onde o objeto segue; se aprofunda.
Origem: Wikipédia
Se você estava à procura do conceito de ponto de fuga nas artes, siga o link da Wikipédia acima.
Apesar de manter certa analogia, aqui a abordagem é outra.
Muitos acharão interessante, ou por já ter pensado nisso em algum momento, ou por nunca ter pensado.
O ponto de fuga à que me refiro é o do pensamento.
Talvez exista algum termo mais adequado para isso, mas o chamei de ponto de fuga, justamente pela semelhança com o conceito artístico.
Mas o nome pouco importa, o importante é a idéia, talvez pudesse até se chamar bifurcação do pensamento ou, associação progressiva de idéias ou, pirâmide do pensamento.
A idéia principal é que partimos de um ponto de fuga e, à medida que vai se desenvolvendo, as idéias começam à pipocar dando origem a novos pontos e estes, por sua vez, a outros pontos, crescendo em P.G., que pode ser representado pela pirâmide.
Na maioria das vezes fazemos isso de forma inconsciente, sem pensarmos na mecânica da coisa, por exemplo, numa conversa.
Isso é a forma mais comum.
Mas a parte interessante não é essa.
No exemplo da conversa, quando chegamos num certo ponto de interesse, como existe interação entre locutores, acabamos simplesmente mudando de assunto.
Isso acontece porque, numa conversa, a troca de informações acontece de forma serial, em informática chamamos de comunicação serial. E devido a essa limitação ou gargalo, o processamento acaba se transformando num processamento único ou em regime de monoprocessamento. Apesar da mente continuar trabalhando de forma paralela ou em regime de multiprocessamento.
Agora a parte que interessa e que foi o motivo de ter feito esse tópico está no multiprocessamento em outras situações.
Por exemplo, numa palestra, na leitura de um livro ou simplesmente assistindo à TV.
São situações onde não há interação entre o locutor ou a fonte e o ouvinte ou leitor, onde as informações passam em sentido único.
A mente continua a trabalhar da mesma forma, porém, agora, não há a necessidade de interação, o que faz com que “sobre” mais tempo para a mente criar mais pontos de interesse que normalmente teria quando está ocupado em interagir com outra pessoa e não mudar de assunto com tanta freqüência.
Mas nem sempre é possível o processamento paralelo, principalmente quando o ponto de interesse passa a ser mais ou tanto quanto interessante que o assunto em pauta.
Quando isso ocorre, às vezes a mente fica tão ocupada em não se perder do ponto, que passa para o outro, quase se esquecendo do principal.
A isso que chamei de ponto de fuga, já aproveitando o que o nome “fuga” nos sugere.
E como não há o compromisso que se tem com a outra pessoa, como acontece numa conversa, acabamos “embarcando nessa”.
Para mim, particularmente, tem acontecido isso, com certa freqüência, na leitura de um livro. Não que o livro seja desprovido de interesse, muito pelo contrário, pois se o livro dá margens a esse tipo de sugestão é porque abordam temas variados, o que não deixa de ser uma boa qualidade.
Às vezes me pego nessa situação, que acontece de forma natural e inconsciente.
Quando vejo, já estou lento o livro maquinalmente, uma leitura mecânica, como se ligasse o piloto automático. Às vezes chega-se a um parágrafo inteiro sem prestar atenção no que estou lendo.
Não considero isso um problema maior, já que se pode voltar a ler o parágrafo posteriormente. Mas passei a adotar um procedimento que tem me ajudado muito a pensar, porque pensar faz bem. O pensamento cria e isso é muito bom. O procedimento é simplesmente: anotar tudo num papel quando ocorrerem essas bifurcações e só depois reler e pensar a respeito do que foi escrito, após a leitura (ou parte) do livro.
O procedimento também se aplica nas outras situações, como os já citados exemplos: numa palestra, assistindo à TV e situações semelhantes.
YuDreams
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